Review - Backstage Recife / PE - 24/07/2004

Por Joanna d'Arc

"Show do Dr.Sin dia 24 de julho!" Eu ouvi esta frase da própria boca do Produtor João Marinho, 2 meses antes do acontecimento. Imaginem o tamanho da alegria! Não era pra menos, o show do dia 18 de Janeiro de 2003 tinha sido maravilhoso e eu estava há mais de um ano esperando para me "esgoelar" novamente e prestigiar essa banda que não deixa ninguém sem cantar, mesmo que não saiba a letra e se arrisque no "embromation".
Foram dois meses de espera e o doutorzinho (apelido carinhoso dado à banda aqui em Recife) resolve aparecer justo na semana que antecede a minha formatura... "Pense no aperreio" (tradução para quem não é pernambucano: Imaginem a preocupação). Entre provas de vestidos e nervosismo com a monografia de final de curso (Agora sou uma Biomédica, para quem quiser saber), tive que tirar o sábado de folga e me dedicar ao "dia de Dr. Sin".

Este dia, é claro, começou com a ida ao aeroporto. A chegada da banda estava prevista para às 11:30h e o foi, sem atrasos. Logo de cara, um imprevisto ocorrido com a Van que levaria a banda ao hotel preocupou o produtor, que teve que substituir o carro a tempo. Tudo transcorreu bem e deu até tempo para os fãs presentes guardarem uma lembrança daquele momento com o velho click da máquina.
Ainda no aeroporto, os caras falavam a respeito do show em Salvador, no dia que antecedeu a chegada ao Recife. O Andria reclamava de uma sinusite adquirida devido à chuva que caiu no dia do show na Bahia e estava bem feliz ao ver o sol brilhando forte aquela manhã (só naquela, pois aqui choveu pra caramba estes meses). O Rodrigo também não tava lá essas coisas em relação à saúde, disse até que tinha tomado a temível Benzetacil, ui.

A passagem no aeroporto se deu de forma rápida e logo a banda seguiu para o Hotel no bairro de Boa Viagem. Do aeroporto eu segui para lá também, acompanhando o João (produtor). Chegada ao hotel, preenchimento de fichas e todo aquele protocolo. Ardanuy já tinha destino certo: iria dar uma aula antes do workshop. Já o resto da banda foi para os quartos descansar, embora com o desejo de conhecer nossa bela cidade de Olinda. Após a passagem pelo hotel, tratei logo de comer algo num fast-food para ter pique de agüentar tudo, pois o dia seria bem longo. Depois de uma rápida passagem na Blackout, onde nosso querido Marlos (www.drsinweb.tk) garantiu seu belo pôster do show, seguimos para o teatro Maurício de Nassau onde aconteceria o workshop do Ardanuy. Cheguei durante a passagem de som do Fred Andrade e sua banda, super legais por sinal.
O show de abertura do workshop (eu nunca tinha visto isso) foi ótimo e o Fred arrasou com suas canções, especialmente o "Maracatu bonito" nome que, segundo o próprio autor, foi dado pela sua mãe ao ouvi-lo tocar. Ardanuy assistia a tudo lá perto da porta do teatro e confessou a sua admiração com o som do grupo.
Edu subiu ao palco por volta das 16:30h e tratou logo de organizar sua pedaleira já que, segundo a reclamação do próprio durante a apresentação, ele não tem roadie.
O workshop transcorreu com poucas perguntas e muita música. É claro que o mais explorado pelos presentes foi a técnica de "puxar" as cordas mi e si para fora do braço da guitarra. A resposta foi pertinente: É mais feeling do que técnica, você mesmo é que deve saber a hora de puxar e fazê-lo sem medo.
Terminado o Workshop, direto ao bairro do Pina, mais precisamente ao teatro Barreto Júnior, local do show. Ardanuy foi o primeiro a chegar para a passagem do som e foi logo organizando os seus assessórios. Beto, baterista da banda Pernambucana "Infested Blood", já havia montado a bateria e esperava a chegada do simpático Ivan. Em menos de uma hora, Andria, Ivan e Rodrigo chegam ao local do show e se preparam para a passagem de som, assistida por uns poucos privilegiados.
A passagem segue por cerca de uma hora e meia e quem comanda a mesa de som é o produtor do DVD Átila, para quem não sabe, irmão do Eduardo Ardanuy e também ex-guitarra do Anjos da noite. Durante a passagem de som, uma música é especialmente executada para o João Marinho: Zero. Quem conhece o João sabe da imensa satisfação que ele sente em ver o Dr. Sin tocando aqui.

Mais um tempinho de espera após a passagem de som, e os portões são abertos ao público. Casa cheia e todos sentados (por enquanto) é hora da banda de abertura entrar em cena. O show do Candelabro agrada a galera presente e entusiasma esquentando o clima para a chegada do doutorzinho. Com o término da apresentação do Candelabro, as cortinas se fecham, para a reclamação do público, e a banda sobe ao palco para testar os equipamentos antes do grande show. As cortinas se abrem por volta das 23:40 (Ah, eu nem lembro a hora direito!) e todos os que estavam sentados na frente, inclusive eu, não hesitaram em levantar-se e em permanecer de pé, junto ao palco, até o final do show.
A entrada é triunfal e o show transcorre entre coros formados pelos fãs que pareciam bobos de tão felizes. O show foi fenomenal e me deixou praticamente sem voz, especialmente na hora da execução de "Revolution".
Este show teve as suas semelhanças com o DVD, excetuando o fato do público estar tão próximo do palco, afinal, como ficar sentado o tempo todo com o Dr. Sin tocando ali, na sua frente?
Ardanuy sempre inspirado, arranca gritos do público tipo: Tu toca pra C***; Edu me dá a palheta; Edu pra presidente; Das melhó qualidade possível, entre outros. Ele até arrebenta uma das cordas da sua guitarra, mas isso é só um detalhe.
Quem também estava arrasando foi o Ivan que parecia super revigorado com o calor do público recifense. Eu ficava prestando bastante atenção e tentando imitá-lo na medida do possível. Os solos foram indiscutíveis: Andria executava seu baixo com um entusiasmo incrível. O Rodrigo também não ficou para trás e levantou a galera com seus solos, principalmente quando fingia iniciar a maravilhosa "Perfect Strangers" do Deep Purple.
A certa altura do show, Ivan assumiu os vocais e cantou, junto com todos os presentes, a canção do Black Sabbath "It's alright", delírio da galera. O show seguiu com várias músicas do grupo e ainda mais dois covers: "We will rock you" do Queen e "Have you ever seen the rain" do Creedence Clearwater Revival. O show foi encerrado com a música Fire cantada por todos. Com o término da apresentação, um momento maravilhoso para mim: Ivan vira-se de costas e joga uma de suas baquetas para o público.
Quando vai lançar a segunda, ele olha para todos, que pedem desesperadamente pelo objeto tão desejado, e o entrega a mim (Pense na felicidade!).
O show termina com uma vontade de quero mais, e a banda vai ao camarim. O público começa a sair do teatro e nosso grupo, fãs ardorosos que somos, espera pelo momento de ir ao Backstage. Não demora e Ivan nos convida para ir ao camarim. Logo na entrada, estava o Átila; Andria estava à direita e Ardanuy e Rodrigo mais ao fundo. Pergunto, em tom de brincadeira, onde estariam as frutas e os chocolates, e logo João sai por uns segundos, voltando com uma garrafa de uísque para celebrar o grande show (embora alguns presentes não apreciem uísque). Em questões de minutos o camarim fica repleto de fãs e a banda não tem mais sossego. Haja fotos, perguntas e elogios... Enfim, todo o reconhecimento pelo excelente show ocorrido. Após atender a todos atenciosamente, a banda seguiu para o hotel com saída da cidade marcada para a manhã de domingo: eles retornariam a Salvador.

O mínimo que eu posso registrar agora é o meu sincero orgulho por ter estado presente na noite em que Andria, Ivan, Edu e Rodrigo arrasaram e deixaram o Recife mais uma vez em êxtase pelo MARAVILHOSO show. Parabéns garotos!

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