Pode-se
dizer que a cidade de Jaú, localizada no interior do estado
de São Paulo, foi privilegiada. Explica-se: Retornando
em 16/09 do ano corrente (2000), a longínqua capital nacional
do calçado feminino, teve o prazer de receber a maior e
mais coerente banda de Hard Rock brasileira em todos os tempos.
Lançando o novo CD, II, o Dr. Sin passou pela mesma, afim
de apresentar seu novo trabalho e vocalista - em seu primeiro
show com a banda, diga-se - , o americano Michael Vescera (ex-Loudness,
Malmsteen, Roland Grapow, entre outros). Sem muito mistério,
posso garantir aos que no momento lêem esta matéria:
o saldo final de tudo, foi acima do esperado.
Antes
de mais nada, este que aqui escreve, gostaria de contar algumas
particularidades envolvendo a banda, afinal fui (juntamente com
a Diretoria do Caiçara Clube) o organizador do evento e
acompanhei a banda pelos quase 2 dias que aqui esteve hospedada.
Entre almoços, lanches, voltas e piadas, é gritante
e totalmente perceptível o laço de amizade que os
membros da banda possuem entre si. É impressionante !!
Os caras se respeitam, se gostam, fazem brincadeiras e se divertem
muito. Isso tudo, sem perder um mínimo sequer de todo seu
profissionalismo. Mas chega de enrolação, vamos
ao show propriamente dito.
Apesar
de toda a chuva que caiu na cidade durante toda a tarde, o público
fiel à banda compareceu em excelente número à
apresentação dos pecadores (trocadilho sacado, não
?). Para uma cidade com pouco mais de 100 mil habitantes, creio
que uma platéia de 1200 pessoas torna-se no mínimo,
bem considerável.
Como
prévia, o pessoal pôde acompanhar a participação
de quatro bandas regionais. Numa mistura de covers e músicas
próprias, as bandas HUG (Bauru), Madra (Marília),
Keeper (Jaú) e Mandrake (Jaú) puderam aquecer o
público para a apresentação do Dr. Sin.
Finalmente
chega a hora !! O Dr. Sin entra no palco já com a intenção
de sangrar nossos ouvidos. Sim, é isso mesmo !! Onde já
se viu, começar o tiroteio com Fire !? Não poderia
ter sido melhor. Já na primeira, pudemos ver um Mike Vescera
grande, solto e com muita vontade de fazer o que melhor sabe:
cantar. É assustador o nível que a banda acaba de
alcançar com um 'frontman' livre no palco. Logo após,
a banda apresenta a nova música (obviamente do novo CD,
II) Time After Time, poderosa, rígida, refrão grudento,
já seguida de Danger, outra das novas, com ares de que
veio para ficar. Muito bom este som, rápido, com vocais
rasgados e a banda abrilhantando ainda mais, como sempre. Mas,
espera um pouco. "Onde estão os clássicos ???"
Calma, estavam todos lá, belos, magistrais e devidamente
bem encaixados no set list. Coisas como Isolated, Down in the
Trenches (partes I e II), Karma e Futebol, Mulher e Rock'n'Roll
(nesta, Mike aproveitou para trocar de roupa, pois o calor era
infernal) foram cantadas em uníssono, mescladas à
mais algumas novas (Fly Away e Eternity por exemplo), devidamente
bem aceitas pelos fãs da banda. Após mais de uma
hora e meia de show, a banda sai rapidamente do palco e já
retorna mandando bala em Whole Lotta Rosie do AC/DC. Final perfeito,
para uma banda perfeita em palco.
Observações
finais !? Sim. Os caras são muito fodidos no que se propõe
a fazer, são muito humildes e gente boa demais. O tecladista
Joey é uma comédia, muito gente boa. Mas a coisa
mais legal dos dois dias, foi sem dúvida, ver o Mike Vescera
nadando estilo 'cachorrinho' na piscina (risos). Que coisinha
engraçada. Valeu caras, até a próxima. É
só decolar galera, o portão de embarque está
aberto de vez.
Texto:
Estevan