DR. SIN & DREARYLANDS (23/07/2004)

Por Lucas Rocha
23 de Julho de 2004. Rock in Rio Café - 22:00hs


Noite muito fria em Salvador. Para se ter uma idéia, uma das mais frias dos últimos cinqüenta anos! É, mas não seria fria dentro do Rock in Rio, pois era a primeira vez que a banda de Hard Rock paulista Dr. Sin tocava em terras baianas. Com a quantidade de guitarristas na terra, era certo que uma parcela considerável iria prestigiar o talento de um dos maiores músicos do instrumento: Eduardo Ardanuy. Além do guitarrista, a formação se completa com os irmãos Andria e Ivan Busic, deixando bem claro que o vocalista Michael Vescera (ex-Malmsteen) já deixou a banda há muito tempo. Este show divulga mais um lançamento da banda e, desta feita, comemorativo. Os dez anos de carreira viraram um CD duplo e um DVD, com a participação, inclusive, de André Matos nos vocais da faixa Fire! Para abrir a noite da melhor forma possível, a Drearylands mostra, pela primeira vez, sua nova formação!

Com uma introdução diferente, mostrando trechos instrumentais das músicas dos discos da banda, sobre ao palco, incontestavelmente, uma das bandas mais adoradas do metal baiano de todos os tempos: a Drearylands, mais vez, trazendo novos integrantes na formação, problema este que, infelizmente, sempre afetou o grupo. Agora com César Lima (ex-Mystery) no baixo e João Mateus (ex-Asteroidea), provisoriamente, na bateria, já que não permanecerá na banda por estar envolvido com outros projetos, o line up se completa com os já sabidos Páris e Rafael Syade nas guitarras e Leão nos vocais. "Quem estiver interessado em fazer parte da família Drearylands, tocando bateria, as portas estão abertas para audições", revela o próprio Leão.

Another Stormy Night, do Heliopolis, inicia a noite e o show da banda! Bela música que marcou o "renascimento" da banda. Em seguida, uma clássica do primeiro disco: The Worst Enemy! Excelente trabalho de guitarras é o que mais se destaca nesta, relembrando o Some Dreary Songs... O "maior show da terra" é representado por The Greatest Show On Earth, cantada por todos. Esta já é clássico do segundo disco que, em alguns momentos, fica difícil falar qual faixa é melhor. Na seqüência, Trash Man expõe uma composição das mais inspiradas que, pasmem, quase nem entra no disco. Sailors of the Argo traz a mitologia grega ao palco, com um trabalho de bateria muito bem feito por João Mateus que, francamente, sempre será um show à parte. Também do primeiro disco, intercalando os dois álbuns em suas melhores composições. Para refutar esta observação, a próxima do set é Addcition to War, do mais recente Heliopolis. Uma parada para uma cover: Nevermore, The River Dragon Has Come. Faixa do Dead Heart In a Dead World, melhor disco da banda, que foi traduzida numa performance notável de Leão nos vocais! Música muito empolgante! Em Frente ao Espelho veio para fechar o set. Esta faixa é uma conquista muito significativa da banda, pois uma canção em Português sempre ser citada como um dos destaques do disco é a comprovação de que existe mercado para língua portuguesa no metal. Outras experiência do Angra e Eterna, por exemplo, também foram bem sucedidas recentemente. No Bis, a pedidos do público, Lady Light fecha mais um grande show da Drearylands, fazendo jus à alcunha pelos adorados do estilo melancólico e introspectivo da banda.

Era a vez do Dr. Sin que, já antecipo, se mostra ser uma das bandas mais coesas do Brasil, tamanha a fidelidade das execuções ao vivo. Fly Away, do último disco de estúdio, abre o set, iniciando bem o show! No Rules, na seqüência, uma das mais bem executadas da noite, com partes individuais dos músicos. Ardanuy já começara a mostrar o porquê de ser considerado um dos melhores guitarristas do Brasil. Time After Time, novamente do Dr. Sin II mostra que o Michael Vescera não faz tanta falta; excelente vocalista, sem dúvidas, mas os vocais de Andria estavam realmente inspirados nesta noite. Sometimes e Karma seguem com o set que já mostrava sinais de insistência das partes individuais dos músicos. Down in the Trenches relembra o Brutal, o disco mais metal do grupo. Muito peso e precisão são as marcas desta música que ficou perfeita ao vivo! Eternity, seguida da esperada Isolated imprimem um pouco mais de agilidade ao show e, por falar em Isolated, que solo! Eduardo brincou, literalmente, com as seis cordas. Revolution e Emocional Catastrophe lembram o primeirão da banda, fase, com certeza, mais Hard. Esta última mostra como a maturidade e os dez anos não afetaram as canções antigas, ainda sendo executadas com maestria e total fidelidade. Andria e Ivan também mostram seus dotes musicais em passagens e solos intercalados largamente durante todo os set, enfadando até um pouco o público. Momento "cantem comigo": era a vez de Have Ever Seen the Rain? Que sempre arranca aplausos e coro da platéia. Credence Clearwater Revival sempre presente nas apresentações do Dr. Sin. Após todo este repertório, a apoteose estava pronta na performática Futebol, Mulher e Rock'n Rool. Nesta, é impossível o público não participar. Andria ínsita a participação feminina, tentando explicar porque a música não é machista. Fire fecha um excelente show, apesar das cansativas partes instrumentais que, para aqueles que não são músicos, soam repetitivas e até cansativas. Mas, no final, saldo mais do que positivo para uma das melhores referências que têm os novos talentos do Hard / Heavy no Brasil, que continuam a utilizar o talento e a versatilidade do trio como inspiração.

Mais um excelente show em terras baianas, com uma muito boa participação do público. Depois de inúmeras e inusitadas noites frias em Salvador, nem o Dr. Sin esperava uma noite tão calorosa por parte do público baiano. Esperamos retornos breves do trio, assim como novidades da Maniac em termos de bandas locais e shows também internacionais, pois os boatos e suposições vêm deixando a cena apreensiva, no bom sentido, é claro. Agradecemos mais uma vez ao João e a todos da Maniac Records pela viabilização desta resenha e desejamos muito mais sucesso ainda com as realizações em termos de produção na Bahia. Temos certeza que o Bahia Rock também faz parte destas conquistas.


Por Lucas Rocha
23 de Julho de 2004. Rock in Rio Café - 22:00hs